quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Escrevendo histórias.

"Somos todos Josés e Marias". Dedicado ao Matheus que sempre faz o trabalho árduo de corrigir a ortografia de minhas escritas, e a todos os Josés e Marias que escrevem suas vidas com sinceridade e alegria. (Rima inesperada essa) Até a próxima.
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Se estiveres lendo tais palavras é porque já não me amas mais e eu não mais a você. Mas em respeito ao nosso extinto amor, quero que saiba de algumas coisas!
Nunca lhe disse “te amo” por medo de desgastar, nunca lhe abracei temendo o fim do abraço, nunca lhe beijei esperando o momento ideal. Dei seu nome a uma estrela que espreita a janela do meu quarto, plantei rosas em meu jardim para lhe dar. Nunca comprei rosas por não conterem meus sentimentos, das rosas cuidei e agüei, mas hoje morrem suas pétalas, por não haver ninguém para presentear o inverno se torna devastador.
Os pássaros costumavam cantar enquanto eu passava o café numa manhãzinha fria e chuvosa.
Saiba que essas palavras foram feitas em meio a goles de um café quente. Um café amargo e quente.
No fogão os estalos da madeira queimando são tristes, o leite ferve no caldeirão e forma uma espessa camada de nata, odeio nata.
Já é hora de sair, preciso abrir a venda, pois já se vão às horas.

O pobre rapaz passa pelas esquinas alienado, os carros e carroças e também as bicicletas, se desviam daquele pobre pecador. Enfim chega-se a venda, graças a Deus, vivo.
É engraçado como a porta range, sabe ela me lembra de você quando vinha comprar pão, logo pela primeira hora da manha.
Mas onde estaria você agora? Aqui a cidade fica cada dia menor sem aquele amor.
Ajeita-se em meio às prateleiras, sujas com farinha de trigo que caía do saco. Minuto a minuto chega os fregueses, que pediam sempre a mesma combinação, uma dose de cachaça e um pedaço gordo de salame, cortado à faca, alguns se arriscavam no copo quente de café com pão e manteiga, ali ficava ate às seis, de conversas, prosas, estórias...
Nnovamente esvazia-se o bar, todos foram para os trabalhos. Passa o pano no chão para amenizar o grosso barro trazido pelos fregueses. Naquele dia chuvoso, desanimado, José ajeita os pães e novamente anseia o fim daquele dia dolorido sem Maria.
Trim! Trim! Tocaram o sino, corre para atender, José, o freguês esta ali!
- Pois não senhora? Pergunta ainda ajoelhado.
- Eu queria saber onde esta o José?
- José sou eu, pois não?
Um longo momento de silencio.
- M... Ma... Maria?
Sim era Maria que voltara para seu grande amor, e dizia sentir saudades, e dizia querer abraços, rosas e beijos. Dizia que amava, e jurava por Deus em todas essas confissões.
- Mas como você sabe Maria?
- José, acho que deixou cair isso.
Lá está o sujo bilhete e ali estava um recomeço, o recomeço de um amor.
Agora José acorda cedo com um bom e gostoso copo de café, dá bom dia à sua amada que agoa as plantas e cuida dos pássaros. José sempre diz ao começo do dia que a ama e nunca deixa de beijá-la e abraçá-la e, em toda noite, antes de dormir, os dois, juntamente com os filhos, contam esta estória olhando para a estrela de Maria no céu do quintal.
Acho que sou como José, talvez ela como Maria, ou melhor, somos todos Josés e Marias. Nem sempre com um final feliz, mas batalhando a cada momento para recomeçar.

Douglas Machado.

Não posso mais viver sem ti.

Eita interior, onde a cidade é pequenina, e as pessoas se ligam pela sinceridade de um sorriso. Pois bem dedico a todos da minha querida cidade Passos-MG, que cresce a cada dia, sem perder o brilho da simplicidade.

Que saudade amor, volta logo pro meu coração

Que viagem demorada que foi essa, tanta solidão

Volte e traga contigo minha vida, imploro-te

Preciso de você aqui, é a mais pura verdade.

A horta já não tem flores, nem frutas

Não tem legumes, nem mudas.

Não sei o que faço, o gado emagreceu,

As galinhas e o mocho morreu

Sem amor tudo por aqui para, ate meu coração.

Sem amor este pedaço de terra desaparece,

Volta, volta logo. Esta é a minha prece.

Juro que não sou o mesmo, pergunta pro Zé

Nem vou mais na venda dele beber o famoso mé,

Larguei o fumo, por conta do cê.

Pois a Maria a macumbeira, disse que cê ia aparecê

Por isso escrevo essa carta, com esperança

De que cê volte e trais as criança

Pra este velho e pobre homem do campo.

Ass: José firmino silva reis.


Autor: Douglas Machado.


Seria mesmo um sonho?

Vamos a mais um texto. Esse dedicado a querida Melina, nada mais justo já que lhe pertence as palavras deste texto feito especialmente ao seu aniversário.. parabéns querida.

Imagem: http://www.maguetas.com.br/galeria2.php
Pele branca, sorriso caloroso. Essa era a moça que eu via em meus sonhos, moça dos cabelos ruivos feito fogo, andava pelas ruas de uma pequenina cidade, cumprimentava o vendedor de cachorro quente e o pipoqueiro.
Ela foi andando ate o coreto, antes, passou pelo senhor que vendia algodão doce, comprou um e subiu.

Ali ficou um bom tempo, esperando alguém. Moços passavam e a encaravam, mas nem ligava. Pensava em alguém, mas quem seria esse rapaz?
Me escondi atrás de uma árvore ali próxima, e fiquei espionando, não demorou, apareceu uma rapaz, alto, pele clara, olhos cintilantes azuis, sorriso branco feito o algodão doce, ele foi ate o coreto, mas antes passou na senhora que vendia flores e comprou um maço.
Os dois ficaram ali o restante do meu sonho. E eu escondido já em cima da árvore munido de sacos de pipoca, espiava tudo, estava tudo bem, os dois riam, se olhavam sinceros, mas de repente os dois ficam sérios e alguns instantes depois, o rapaz se vai, e a moça, em lágrimas, vigia sua ida.
Enfurecido, agarrei uma pedra e meu estilingue e soltei uma rajada. Mas me descontrolei e caí da árvore e da cama de cara no chão acordado.
Esse sonho me perturbara durante dias. Então decidi ir à missa, na igrejinha da praça onde acontecera meu sonho. Na missa recebo um bilhete, de uma jovem, ela me esperava no coreto. Ao final, vou andando, almejo um maço de flores da dona Joaquina. Subi, dei-lhe as flores e ali conversávamos e riamos. Então me veio a lembrança, aquela do meu sonho. Decidi me desculpar e sair. Ela não entendeu e ficou entre lagrimas me olhando ir embora.
- Ai! Ai! Quem me jogou esta pedra?
Virando-me para trás vi a garota em prantos e me indaguei:
- Espere, espere! Como posso ser tão burro? Tenho a oportunidade de fazer aquela moça, sorrir para sempre. Calma eu a amo? Sim a amo. E ela me ama? Não sei. Então espere, irei perguntar!
Corro de volta ao coreto e ali estava ela, murchando o algodão doce com suas lagrimas.
- Moça, sinto lhe dizer, mas se chorar mais nesse algodão, ele ficará salgado. Ela me olhou, seus olhos brilhavam, enxuguei-os e fiz a pergunta.
E com um beijo ela me respondeu. Desde aquele dia, minha vida nunca foi a mesma. E até hoje me lembro do menino na árvore que me atingira com uma pedra, por ele a vi chorando, por ele decidi voltar, por ele posso dizer que eu posso amar!
Douglas Machado.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

As faces do vento.

Desta vez eu vou deixar o proprio poema fazer sua apresentação. Eu apenas quero agradecer á Amaranta, por sempre estar presente neste blog, nos dando o gostinho de cada poema, afinal de contas esses poemas é como o cheirinho do café da manha, de casa de vó neah!. abraços


Quando o vento bate e me leva pro sul, me enervo com os mares pútridos de águas conturbadas e me pergunto se foi exatamente nesse oceano que aprendi a nadar.
Se ele sopra pro leste o sol me afronta, mas no oeste a poeirenta sacada dos dias me pesa.
De última opção vou para o norte, mas reluto: Não seria muito alto pra mim?Não seria muito forte a latitude de lá? A certeza das distancias me enerva e o medo das canções que ecoam nas planícies me impressiona.
Que devo fazer agora?
Sem lugar nem lar?De súbito, no meio do caminho já penso... Já parti uma vez pro sul e não gostei nada do que vi... Não sou pessoa de decidir vou pra direita ou fico na esquerda... Agrada-me mesmo é o caminho do meio, entende? O ‘’quem sabe’’, o’’ será’’? E se for?
Por que a certeza?Bem. Tenho muitas dúvidas para clamar alguma vez na vida que fui exata e sinceramente ando ocupada demais para ser previsível.

Autora: Amaranta Vascenclos

domingo, 4 de abril de 2010

Uma conversa com a Srª Destino.

Poema inspirado em uma conversa com meu pai, um homem simples com pensamentos simples, mas de grande conhecimento. Dedicado a Yasmim Piovezan.


Lá fora a chuva cai calma, os ventos uivam entre a janela da cozinha, e aqui estou eu com uma xícara de café escaldante.
Pensamentos escorrem entre essas palavras, ah! Como seria bom se ela estivesse aqui me fazendo companhia e não esse cigarro fedorento e de marca barata, de baforada em baforada clamo a morte, Ah! Se meus amigos estivessem aqui, iríamos jogar carteado, rir de coisas inúteis, e gozar da vida.
Mas não tem ninguém e não sei ao certo em que parte deste poema os perdi! Não vi ninguém sair, não vi ninguém chegar, só eu que estou aqui!
Ah! Destino se e pego, te dou um nó na garganta te estrangulo e te mato!
Tiraste de mim meus verdadeiros amores, e me destes um copo de café e um cigarro barato? Em uma tarde de domingo chuvosa?
Agora sim eu reconheço quão desprezível és, terá você alguém? Ah! Não, sei que és um homem sozinho assim como eu estou agora! Afinal seu trabalho é separar as pessoas que se amam, não é mesmo desgraçado destino, maldito seja.
José Como ousa me difamar perante todos?
Jose: Quem és tu? Que voz é essa?
Eis que a porta se abre e entrando num pequeno redemoinho surge ela, a Srª Destino em um vestido branco, de voz suave, olhos azuis, pele pálida e cabelos brancos como gelo.
José quero meu direito de defesa. Ora, como assim direito de defesa, já não basta ter acabado com toda minha vida?
Ora José eu estraguei sua vida? Diz-me uma coisa como eras conhecido em seu meio?
José da cara feia, o que não ouvia conselhos e que inevitavelmente criticava os melhores amigos.
José tu quem trocara seus amigos, eu apenas fui mediadora de todo esse contexto, e digo que vós quem destinaste tua vida a isso, você quem desistisse de todos aqueles que te amavam, jamais poderás me culpar, por destruir os laços que eu mesma te ajudei a conquistar.
Hora destino, porque deixaste eu me destruir de tal forma? Vendo tudo isso porque não impedistes este desonrado a cometer tal suicídio, de certa forma você sim é a culpada, porque só agora apareces e me distes esse sermão, Agora, Agora de nada adianta mais.
José concordo que tenho culpa sim, mais de nada poderia fazer, a não assistir ao trágico final deste filme, afinal de contas, eu cuido do tempo e espaço, de como as pessoas se conhecem, mais não posso cuidar de como elas se esquecem, isso já obra do pensamento, peço desculpas.
Desculpa de nada adianta agora senhora, pois não posso recuperar! Recuperar o que era meu, as posses minhas.
Ah meu caro José, se soubesse como esta errado, claro que você pode.
Diga-me como? Diga-me agora sem demora srª destino.
Mas a porta se abre, e um pé de vento vai levando suavemente a srª destino e em meio ao frio daquele pé de vento que congelava, as folhas de papel que estavam em cima da mesa, voam fazendo José acordar assustado, o coração acelerado mostra que ainda esta vivo, ele levanta vai ate a porta a fecha novamente, e percebe que, o sonho que acabará de ter foi a mais pura realidade, o que se concluir? Apenas uma resposta vinha em sua cabeça enquanto a água fervia para um café novo e escaldante, o destino junta as pessoas mais elas, somente elas agem para se afastar.
Palavra de um José não sabe quem, a respeito de um sonho qualquer, apenas me pergunto uma coisa seria isso uma verdade ou apenas uma ficção?

Autor: Douglas Machado

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O sonho...

Esta noite tive um sonho, um desses que te intriga,
Sonhei com um campo, com árvores rodeando e flores em todo ele,
As flores que falavam com algazarra, conversavam sobre a vida,
Como era bom ali estar, um lugar tão lindo feito pra amar.
O vento que era o propagador de toda conversava, como belo carteiro.
Levava o papo até no alto do campo, e com grande reboliço trazia a conversa que lá em cima estava a entoar.
Então vi uma menina, que queria entrar naquele campo, só que de tão lindo passava a ser sagrado não podendo ser tocado, então como se num passe de mágica, essa menina flutua ate uma árvore forte, que a coloca em seu galho com grande generosidade.
Ali ela vê se destacar duas flores que trocam juras de amor, juras de uma vida inteira,
O vento, como sapeca que é, deu piruetas, cambalhotas, rodopios, e com a brisa formada, pelas trapolices dele, fez com que as duas flores se balançassem ficando encostadas, com grande alegria o cravo disse:
--Obrigado meu velho amigo, pois há muito tempo imaginava como era a pele dessa doce margarida.
Essa menina fascinada queria descer e poder andar ali, sentir a natureza. De certa forma, ali era sua casa, pensava ela...
Mesmo com grande persistência, ela não pôde andar por aquele campo, quando acordei, fiquei espantado, e tomando meu café como sempre faço, eu entendi...
“Como uma margarida, que tem suas raízes fixadas no chão, poderia sair andando pelo campo? E sabe do que mais? A tal menina era a margarida, e ela jamais poderia andar por aquele campo. Porque ela era uma flor que compunha aquele campo, a mais bela que ali reinava, e que só conseguiu ver o campo todo, porque de tanto pedir a DEUS, Ele a deixou, em sonho, ver o grande trabalho que ela estava fazendo parte, ela era a menina, ela era a flor, era a protagonista de mais uma história de Amor.”


Autor: Douglas Machado

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Pensamentos, Apenas Pensamentos

Já percebeu que o sol vai fazendo uma espécie de curava elíptica por volta da madrugada?Não,não percebeu não é?
Talvez porque não faça,talvez por que você nunca ficou tempo acordado o bastante pra perceber,talvez porque ele seja grande demais e você não o perceba.

O sol já havia parado na minha janela e eu ainda não tinha ido dormir.Sabe,não é muito fácil pegar no sono quando você está em uma festa com o som alto e tendo a vida como uma aquarela inacabada na sua frente.Se eu pelo menos fosse bom com cores,mas pra falar a verdade eu sequer sei desenhar...
Não pedi pra que ninguém visse a minha angústia, muito pelo contrário a escondi tão bem que muitos poderiam jurar que ela não existia, no entanto há outros que se correspondem com o mundo não pelos esboços apropriados que cada um usa pra agradar os outros de forma sociável.Há sempre aqueles que enxergam a realidade ainda que ela pareça ser só ficção.



Para essas pessoas se dispensa adjetivos ou apresentações, você simplesmente as reconhece e conhece,muito bem... mesmo:

_Ei!Não se sinta culpado por seus defeitos- ele começou, displicente - o fato deles sobressaírem não te torna fraco,mas a luta para que eles sejam algo bom é que te faz nobre e a vontade de mudar te faz humano.Portanto não fique se taxando enquanto as coisas nem começaram a ser na verdade o que elas realmente são.
Você,aos poucos,se torna o que realmente é, mesmo com a mente embaçada acaba sendo guiado por teus sentidos mais fortes...
_a visão??audição?

_não, a vontade.
_e como vou descobrir o meu lugar?
_como você acha que a lua descobriu o seu?ela simplesmente foi posta a frente do sol para ser bela em um quadro de acervos que é o céu.Mais nada.Ela fica lá.

Assim é com a gente, somos colocados em algum lugar e se fazemos o bem por lá,então lá ficamos até que o tempo se acabe e as fases mudem .Então damos alguns giros e os outros nos vêem de modo diferente.
_como a lua!
_mas ela ainda é a mesma, e você também. O negócio todo é que em algumas horas somos mais bem visto e até nos sentimos melhores de um lado do que do outro.Mas acredito que sempre voltamos ao que nos faz bem, ou carregamos isso conosco.

Sorri, aliviado.
Algumas palavras tem efeito analgésico em nossa mente, outras,no entanto servem como um guarda sol ou um pára brisas.

Autora: Amaranta Vasconcelos

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Vó Eva

Bom pessoal, queria avisar que as postagens estão de volta, pc voltou ao normal ( por enquanto), aproveitando quero dedicar essa crônica à Talessa e taina, e claro à "Vó Eva" haha! até a próxima...



Era tão má, que mal saia na rua o sol já se escondia atrás das nuvens. Portas se fechavam como um grito de olé em campo. Cada passo seu era mortífero. O chão mais queria abrir e jogá-la buraco adentro. Assim era o mundo a respeito de Vó Eva!
Ela abusava da bondade divina. Não se preocupara com o amanhã, apenas odiava o hoje, odiava por ter acordado, por ter respirado, por ver que estava viva, os olhos arregalados cheio de remela mal enxergava sua fisionomia no espelho. Droga de visão - exclamava aos berros. O café amargo que descia queimando sua garganta era tomado à base de reclamas novamente. Do quintal vinha um cachorro andando com dificuldades, cheio de feridas, mal ficava em pé. Mas ele vinha com toda felicidade de cão, e era acariciado pelas mãos rudes de Vó Eva. Era a única coisa do mundo pela qual ela conseguira gostar: aquele velho cão, sarnento, fraco e abatido.
Logo cedo, ia ao açougue, pedir muxibas para o cachorro. Respondia mal ao atendente, que mais queria matar aquela mulher. Era tão má que vivia a estragar o dia dos outros, era sua felicidade. O porquê ninguém se sabe. Só se sabe que ela era a Vó Eva, uma senhora que perdera o marido, pois ele não a agüentava mais. Fugira no dia do aniversário de casamento, deixando apenas o cão. Perdera o filho mais velho pelo mesmo motivo, e a filha mais nova, por tentar esganá-la várias vezes. Só restara a filha do meio, que ainda não tentara fazer nada.
Vó Eva, cuidara de suas netas por algum tempo. Eu me lembro, era garotinho, ficava em cima do muro à observar a cena. Ela botava as pobres coitadas, para trabalhar, e sentava-se na varanda com um cigarro de palha, em sua cadeira de balanço. E ao final do dia, quando a filha chegava, reclamava. Dizia que as meninas eram o capeta em forma de gente, e que teriam que exorcizá-las. A mãe ainda gritava com as meninas achando que a Vó Eva tinha razão. Quando ela morrer acho que vai para o inferno, acho não, tenho certeza. Pois ela era muito má, chegara até a denunciar a própria filha ao conselho tutelar. Dizia que a filha deixara as crianças sozinhas.
Vó Eva era mais como uma bruxa para a molecada da rua. Dizia que Deus ia castigá-los por jogarem bola em sua horta, além de perder as contas de quantas bolas rasgara em toda sua vida. A casa de vó Eva nunca foi roubada, pois todos a temem. Dizem que o próprio demo é quem vigia a casa de vó Eva. Às vezes, à noite, à escutavam falando com ele. Cruz credo, arrepio só de pensar. Pra não falar que to mentindo, um dia vi o demo lá com meus próprios olhos, subi o muro, como de costume, pra pegar jabuticaba, e lá estava ele, no quarto, ouvindo caladinho, caladinho a Vó Eva, um ser alto e magro essa era a fisionomia do demo. Acho que ele fizera algo que não à agradou muito. No outro dia o pessoal queria que eu buscasse a bola, mais nunca que fui. Ora, por quê? Se até a coisa ruim tem medo dela, quem era eu para enfrentá-la, certo?
E pra terminar, a Vó Eva morrera há tempos e a casa ainda esta vazia. Alguns inquilinos moraram por uma ou duas semanas, mais disseram que ouviam vozes e vultos. Ninguém nunca mais alugou aquela casa até agora. Pois semana que vem a casa da Vó Eva, será derrubada e dará lugar a um prédio.
Se essa história é verdade ou não, acreditem se quiser, mas se quiserem uma prova é só chamar por vó Eva na manhã do último dia da quaresma, em uma encruzilhada, e lá vai aparecer ela, com seu cão sarnento do inferno.

Autor: Douglas Machado

domingo, 17 de janeiro de 2010

Amizade em debate...

Bom gente, lá vai uma pequena crônica, pra inaugurar o espaço de crônicas do nosso blog. Espero de verdade que gostem, aproveitando á deixa, essa vai pra Amaranta, achei sua cara nega beijO, até a próxima galera!

Aquele dia, àquela hora, em que todos se desprezavam em um olhar obsceno. Quando todos se odiavam e eram odiados, nenhuma palavra se atrevia a rasgar a boca e sair e o coração batia sorrateiramente, sem fazer barulho, ou pisar em falso. Era mais um daqueles momentos que você quer que passe rápido, mais rápido que uma prova de lógica num sábado à tarde.
Ninguém sabia o motivo do começo daquela briga. Apenas mantinham a postura de um guarda de milícia: Cara fechada, boca serrada, sobrancelhas curvadas num ângulo que condenava a insatisfação, era inacreditável.
Ate então eu conseguia ver somente as costas de melissa. Ela ignorava a todos com seu MP3. Olhava para as arvores, os pássaros que voavam entre a capela e o fórum velho. Que atitude mais áspera e grossa de melissa. Como ela podia ser tão má educada? Talvez a briga tenha começado por causa dela e agora esta querendo fugir das conseqüências, afinal ela sempre teve essa mania de criar intrigas. Fico com muita raiva. Melissa, o ser humano que sempre me causa tanta dor. Desde que éramos pequenos e ela preferiu o Lucas a mim. Éramos pequenos, não dava pra ela fingir que gostava de mim ate que eu enjoasse?
- Ei Joe! Joe você está aí?
- O que está acontecendo?
- Ixi galera! O Joe dormiu de vez.
-Claro que dormi. Não queria prestar atenção na briga de vocês. Uma briga ridícula, sem fundamento, que nem ao menos se lembram do motivo!
- Muito bom Joe, viajou de novo, nós só estávamos decidindo o sabor do sorvete, que íamos tomar na casa, ou melhor, no casarão da avó da melissa.
- Ah gente! E isso não é uma briga tola?
*-Joe você sempre viaja. Até quando foi me chamar pra namorar disse que nunca tinha lhe dado bola. Sendo que você que nunca me dará bola.
Ah ,melissa éramos jovens demais!
Joe você quem vai pagar o sorvete.
joe: porque eu ?
porque você viajou, lembra o trato?
joe: droga tudo bem..
E assim, lá se vai mais um sábado e todo o dinheiro da minha semana!
- Joe, Joe você esta aí? Ixi gente! viajou de novo!


Autor: Douglas Machado

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Ligação

Chove.
Mas, pode cair a chuva, que já nem ligo mais.
Antes ligava.
Aliás, antes ligava pra muita coisa.
Hoje já não ligo mais.
Assim também não me ligam.
Talvez seja por que não ligo.
Antes eu ligava mais.
Antes eu amava mais.
Hoje não ligo.
Não restou um amigo.
Mas, também, quem liga para isto?
Pensando bem, eu ligo.
Devia ter ligado antes.
Hoje sou um desligado.
Liguei em tudo.
Menos naquilo que devia ligar.
Hoje percebo que algumas ligações terminam rápido.
Mas, outras se eternizam em nós.
Percebi tarde.
Talvez antes o tempo não tivesse deixado.
Ou o meu trabalho.
É. É isso.
Não me ligavam.
Eu estava sempre ocupado.


Matheus Barbosa

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Desabafo.

Para compensar o tempo que não postei decidi postar mais um poema hoje, e aproveitando o momento queria desde já agradecer ao Matheus, pelo fato de ter repaginado o "Dedo de Prosa", mais uma parceria que esta dando certo. Afinal de contas, o blog é de todos, abraços, até a próxima.
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Ser como um grão que é cultivado pela natureza, Banhado pelo sol, enchido pela chuva e fortalecido pelo vento.
Crescendo. Crescendo até virar uma grandiosa árvore, com força total,
Em plena vitalidade, cheia de vida, louca para viver.

Então, sou devorada pelos dentes ferozes de uma serra elétrica,
Vou perdendo todo minha seiva, à vejo jorrando do meu corpo como um sangue jorra de uma veia Artéria.
Todo meu corpo vai perdendo a força Droga! Com toda essa vitalidade eu não consigo nem ao pior defender.


A vontade que tenho é de sair correndo, mas a terra me segura firmemente. Ora, é o preço que pago por ser gerado nela. Pois, quando grão, ela quem me segurou em sua barriga.
Terra maldita me solte! - Eu grito.

Mas não faz efeito nenhum, então a serra transpassa meu corpo. Sou cortada ao meio, em menos de 1 minuto, uma vida de 100, 500, 600 anos, destruída em apenas 1 minuto.
Convenço-me de que morrer é o melhor, pois se não consigo me defender de um ser humano desprezível, arrogante, então o melhor é a morte...

Meu corpo picado e levado para uma indústria onde viro carvão, para assar o cadáver de outro ser vivo,
Bela vida inútil foi a minha...
Se não sou carvão sou mesa, onde são depositados alimentos, ou seja, seres vivos mortos, se não sou mesa,
Sou papel, onde é marcada a faixa de idade que um animal deve morrer.
A essa altura me conformo, nasci,
Somente para trazer a ordem natural das coisas, nasci, para matar, bela vida inútil a minha...


Douglas Machado

A montanha

Bom pessoal esse poema ja é de tempos, mais é um dos meus preferidos, espero que gostem. Música, Oração ao tempo - Caetano Veloso, fica ae mais uma sugestão.

A montanha no meio do caminho, entre árvores e arbóreos cheios de espinhos, o que será que tem a montanha? Será que tem bichos? Monstros? Seres mitológicos? Homens? Mulheres? O que será que tem na montanha? Tem aves, arvores será que chega às nuvens? O que será que tem na montanha? Será que tem um portal mágico, que dá passagem ao reino de parlagada, onde tudo é lindo, onde tudo é gostoso e o tempo não se preocupa em ter pressa? Pois tudo que é bom tem que durar muito, já dizia minha avó, uma velha senhora que aliviava nos castigos, pois tinha dó. Mas será que esse reino tem gente? Será que o portal vive aberto, será que existe esse portal.

Eu ainda vou nessa montanha, entro nesse portal e fico imortal, pois assim o sonho não morre, a felicidade não morre, o amor não morre e o tempo não corre.

Quero tanto ir lá, será que peço ao maquinista para parar? Mas se nada tiver ficarei sozinho, abandonado, estatelado de cara no chão, sem nenhum sentimento que preencha meu coração. Mas se tiver o que eu penso, se tudo for verdade... E eu estou perdendo! Vou perder! Perdi!

A montanha passou e nem sua sombra deixou. Apenas um adeus meio discreto, quieto, sem que ninguém percebesse.

E ela fica lá, parada como se não tivesse vida, esperando um novo trem ressuscitá-la. E quem sabe alguém de fé e que não se importe de voltar a pé, para parar e ir ate lá para seus segredos desvendar.

A montanha, a montanha, agora sumiu no céu azul de anil ou varonil, pois nada mais importa, agora que a perdi!

Autor: Douglas Machado

domingo, 3 de janeiro de 2010

Mais um dia..

Bom pessoal, o pensamento a seguir é de uma amiga, que até então nem sabia que escrevia, fiquei muito feliz ao ver, uma escrita suave, mas que vai direto ao ponto, bom é isso espero que gostem, pois eu gostei muito.
Postando hoje ao som de janis joplin - Piece of my heart, fica ai a sugestão até a próxima
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Mais uma vez, me desperto do meu sono.
Não posso falar que foi um dos melhores.
Afinal, mal dormi.

A cama macia e quentinha,
Não conseguiu acalmar minha ansiedade e
Aliviar meus pensamentos.

Levanto-me com o intuito de ser tudo diferente, mas não é.
E mais uma vez, seu rosto vem ao encontro de minha mente.
Mal abro os olhos e você está lá, sorrindo pra mim.

As horas passam, presencio momentos de alegria,
Mas não passa de sorrisos momentâneos, afinal você,
Só está ali nos meus pensamentos e não pessoalmente.
Enfim o dia termina.

Estou deitada novamente na cama macia e quentinha,
Fecho os olhos e percebo que você ainda não foi embora.
Mas um dia você esteve comigo, Mas não da forma que eu queria.
Afinal é apenas, mais um dia sem você.


Stefânia Pereira