quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Escrevendo histórias.

"Somos todos Josés e Marias". Dedicado ao Matheus que sempre faz o trabalho árduo de corrigir a ortografia de minhas escritas, e a todos os Josés e Marias que escrevem suas vidas com sinceridade e alegria. (Rima inesperada essa) Até a próxima.
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Se estiveres lendo tais palavras é porque já não me amas mais e eu não mais a você. Mas em respeito ao nosso extinto amor, quero que saiba de algumas coisas!
Nunca lhe disse “te amo” por medo de desgastar, nunca lhe abracei temendo o fim do abraço, nunca lhe beijei esperando o momento ideal. Dei seu nome a uma estrela que espreita a janela do meu quarto, plantei rosas em meu jardim para lhe dar. Nunca comprei rosas por não conterem meus sentimentos, das rosas cuidei e agüei, mas hoje morrem suas pétalas, por não haver ninguém para presentear o inverno se torna devastador.
Os pássaros costumavam cantar enquanto eu passava o café numa manhãzinha fria e chuvosa.
Saiba que essas palavras foram feitas em meio a goles de um café quente. Um café amargo e quente.
No fogão os estalos da madeira queimando são tristes, o leite ferve no caldeirão e forma uma espessa camada de nata, odeio nata.
Já é hora de sair, preciso abrir a venda, pois já se vão às horas.

O pobre rapaz passa pelas esquinas alienado, os carros e carroças e também as bicicletas, se desviam daquele pobre pecador. Enfim chega-se a venda, graças a Deus, vivo.
É engraçado como a porta range, sabe ela me lembra de você quando vinha comprar pão, logo pela primeira hora da manha.
Mas onde estaria você agora? Aqui a cidade fica cada dia menor sem aquele amor.
Ajeita-se em meio às prateleiras, sujas com farinha de trigo que caía do saco. Minuto a minuto chega os fregueses, que pediam sempre a mesma combinação, uma dose de cachaça e um pedaço gordo de salame, cortado à faca, alguns se arriscavam no copo quente de café com pão e manteiga, ali ficava ate às seis, de conversas, prosas, estórias...
Nnovamente esvazia-se o bar, todos foram para os trabalhos. Passa o pano no chão para amenizar o grosso barro trazido pelos fregueses. Naquele dia chuvoso, desanimado, José ajeita os pães e novamente anseia o fim daquele dia dolorido sem Maria.
Trim! Trim! Tocaram o sino, corre para atender, José, o freguês esta ali!
- Pois não senhora? Pergunta ainda ajoelhado.
- Eu queria saber onde esta o José?
- José sou eu, pois não?
Um longo momento de silencio.
- M... Ma... Maria?
Sim era Maria que voltara para seu grande amor, e dizia sentir saudades, e dizia querer abraços, rosas e beijos. Dizia que amava, e jurava por Deus em todas essas confissões.
- Mas como você sabe Maria?
- José, acho que deixou cair isso.
Lá está o sujo bilhete e ali estava um recomeço, o recomeço de um amor.
Agora José acorda cedo com um bom e gostoso copo de café, dá bom dia à sua amada que agoa as plantas e cuida dos pássaros. José sempre diz ao começo do dia que a ama e nunca deixa de beijá-la e abraçá-la e, em toda noite, antes de dormir, os dois, juntamente com os filhos, contam esta estória olhando para a estrela de Maria no céu do quintal.
Acho que sou como José, talvez ela como Maria, ou melhor, somos todos Josés e Marias. Nem sempre com um final feliz, mas batalhando a cada momento para recomeçar.

Douglas Machado.

Não posso mais viver sem ti.

Eita interior, onde a cidade é pequenina, e as pessoas se ligam pela sinceridade de um sorriso. Pois bem dedico a todos da minha querida cidade Passos-MG, que cresce a cada dia, sem perder o brilho da simplicidade.

Que saudade amor, volta logo pro meu coração

Que viagem demorada que foi essa, tanta solidão

Volte e traga contigo minha vida, imploro-te

Preciso de você aqui, é a mais pura verdade.

A horta já não tem flores, nem frutas

Não tem legumes, nem mudas.

Não sei o que faço, o gado emagreceu,

As galinhas e o mocho morreu

Sem amor tudo por aqui para, ate meu coração.

Sem amor este pedaço de terra desaparece,

Volta, volta logo. Esta é a minha prece.

Juro que não sou o mesmo, pergunta pro Zé

Nem vou mais na venda dele beber o famoso mé,

Larguei o fumo, por conta do cê.

Pois a Maria a macumbeira, disse que cê ia aparecê

Por isso escrevo essa carta, com esperança

De que cê volte e trais as criança

Pra este velho e pobre homem do campo.

Ass: José firmino silva reis.


Autor: Douglas Machado.


Seria mesmo um sonho?

Vamos a mais um texto. Esse dedicado a querida Melina, nada mais justo já que lhe pertence as palavras deste texto feito especialmente ao seu aniversário.. parabéns querida.

Imagem: http://www.maguetas.com.br/galeria2.php
Pele branca, sorriso caloroso. Essa era a moça que eu via em meus sonhos, moça dos cabelos ruivos feito fogo, andava pelas ruas de uma pequenina cidade, cumprimentava o vendedor de cachorro quente e o pipoqueiro.
Ela foi andando ate o coreto, antes, passou pelo senhor que vendia algodão doce, comprou um e subiu.

Ali ficou um bom tempo, esperando alguém. Moços passavam e a encaravam, mas nem ligava. Pensava em alguém, mas quem seria esse rapaz?
Me escondi atrás de uma árvore ali próxima, e fiquei espionando, não demorou, apareceu uma rapaz, alto, pele clara, olhos cintilantes azuis, sorriso branco feito o algodão doce, ele foi ate o coreto, mas antes passou na senhora que vendia flores e comprou um maço.
Os dois ficaram ali o restante do meu sonho. E eu escondido já em cima da árvore munido de sacos de pipoca, espiava tudo, estava tudo bem, os dois riam, se olhavam sinceros, mas de repente os dois ficam sérios e alguns instantes depois, o rapaz se vai, e a moça, em lágrimas, vigia sua ida.
Enfurecido, agarrei uma pedra e meu estilingue e soltei uma rajada. Mas me descontrolei e caí da árvore e da cama de cara no chão acordado.
Esse sonho me perturbara durante dias. Então decidi ir à missa, na igrejinha da praça onde acontecera meu sonho. Na missa recebo um bilhete, de uma jovem, ela me esperava no coreto. Ao final, vou andando, almejo um maço de flores da dona Joaquina. Subi, dei-lhe as flores e ali conversávamos e riamos. Então me veio a lembrança, aquela do meu sonho. Decidi me desculpar e sair. Ela não entendeu e ficou entre lagrimas me olhando ir embora.
- Ai! Ai! Quem me jogou esta pedra?
Virando-me para trás vi a garota em prantos e me indaguei:
- Espere, espere! Como posso ser tão burro? Tenho a oportunidade de fazer aquela moça, sorrir para sempre. Calma eu a amo? Sim a amo. E ela me ama? Não sei. Então espere, irei perguntar!
Corro de volta ao coreto e ali estava ela, murchando o algodão doce com suas lagrimas.
- Moça, sinto lhe dizer, mas se chorar mais nesse algodão, ele ficará salgado. Ela me olhou, seus olhos brilhavam, enxuguei-os e fiz a pergunta.
E com um beijo ela me respondeu. Desde aquele dia, minha vida nunca foi a mesma. E até hoje me lembro do menino na árvore que me atingira com uma pedra, por ele a vi chorando, por ele decidi voltar, por ele posso dizer que eu posso amar!
Douglas Machado.