sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Vó Eva

Bom pessoal, queria avisar que as postagens estão de volta, pc voltou ao normal ( por enquanto), aproveitando quero dedicar essa crônica à Talessa e taina, e claro à "Vó Eva" haha! até a próxima...



Era tão má, que mal saia na rua o sol já se escondia atrás das nuvens. Portas se fechavam como um grito de olé em campo. Cada passo seu era mortífero. O chão mais queria abrir e jogá-la buraco adentro. Assim era o mundo a respeito de Vó Eva!
Ela abusava da bondade divina. Não se preocupara com o amanhã, apenas odiava o hoje, odiava por ter acordado, por ter respirado, por ver que estava viva, os olhos arregalados cheio de remela mal enxergava sua fisionomia no espelho. Droga de visão - exclamava aos berros. O café amargo que descia queimando sua garganta era tomado à base de reclamas novamente. Do quintal vinha um cachorro andando com dificuldades, cheio de feridas, mal ficava em pé. Mas ele vinha com toda felicidade de cão, e era acariciado pelas mãos rudes de Vó Eva. Era a única coisa do mundo pela qual ela conseguira gostar: aquele velho cão, sarnento, fraco e abatido.
Logo cedo, ia ao açougue, pedir muxibas para o cachorro. Respondia mal ao atendente, que mais queria matar aquela mulher. Era tão má que vivia a estragar o dia dos outros, era sua felicidade. O porquê ninguém se sabe. Só se sabe que ela era a Vó Eva, uma senhora que perdera o marido, pois ele não a agüentava mais. Fugira no dia do aniversário de casamento, deixando apenas o cão. Perdera o filho mais velho pelo mesmo motivo, e a filha mais nova, por tentar esganá-la várias vezes. Só restara a filha do meio, que ainda não tentara fazer nada.
Vó Eva, cuidara de suas netas por algum tempo. Eu me lembro, era garotinho, ficava em cima do muro à observar a cena. Ela botava as pobres coitadas, para trabalhar, e sentava-se na varanda com um cigarro de palha, em sua cadeira de balanço. E ao final do dia, quando a filha chegava, reclamava. Dizia que as meninas eram o capeta em forma de gente, e que teriam que exorcizá-las. A mãe ainda gritava com as meninas achando que a Vó Eva tinha razão. Quando ela morrer acho que vai para o inferno, acho não, tenho certeza. Pois ela era muito má, chegara até a denunciar a própria filha ao conselho tutelar. Dizia que a filha deixara as crianças sozinhas.
Vó Eva era mais como uma bruxa para a molecada da rua. Dizia que Deus ia castigá-los por jogarem bola em sua horta, além de perder as contas de quantas bolas rasgara em toda sua vida. A casa de vó Eva nunca foi roubada, pois todos a temem. Dizem que o próprio demo é quem vigia a casa de vó Eva. Às vezes, à noite, à escutavam falando com ele. Cruz credo, arrepio só de pensar. Pra não falar que to mentindo, um dia vi o demo lá com meus próprios olhos, subi o muro, como de costume, pra pegar jabuticaba, e lá estava ele, no quarto, ouvindo caladinho, caladinho a Vó Eva, um ser alto e magro essa era a fisionomia do demo. Acho que ele fizera algo que não à agradou muito. No outro dia o pessoal queria que eu buscasse a bola, mais nunca que fui. Ora, por quê? Se até a coisa ruim tem medo dela, quem era eu para enfrentá-la, certo?
E pra terminar, a Vó Eva morrera há tempos e a casa ainda esta vazia. Alguns inquilinos moraram por uma ou duas semanas, mais disseram que ouviam vozes e vultos. Ninguém nunca mais alugou aquela casa até agora. Pois semana que vem a casa da Vó Eva, será derrubada e dará lugar a um prédio.
Se essa história é verdade ou não, acreditem se quiser, mas se quiserem uma prova é só chamar por vó Eva na manhã do último dia da quaresma, em uma encruzilhada, e lá vai aparecer ela, com seu cão sarnento do inferno.

Autor: Douglas Machado

domingo, 17 de janeiro de 2010

Amizade em debate...

Bom gente, lá vai uma pequena crônica, pra inaugurar o espaço de crônicas do nosso blog. Espero de verdade que gostem, aproveitando á deixa, essa vai pra Amaranta, achei sua cara nega beijO, até a próxima galera!

Aquele dia, àquela hora, em que todos se desprezavam em um olhar obsceno. Quando todos se odiavam e eram odiados, nenhuma palavra se atrevia a rasgar a boca e sair e o coração batia sorrateiramente, sem fazer barulho, ou pisar em falso. Era mais um daqueles momentos que você quer que passe rápido, mais rápido que uma prova de lógica num sábado à tarde.
Ninguém sabia o motivo do começo daquela briga. Apenas mantinham a postura de um guarda de milícia: Cara fechada, boca serrada, sobrancelhas curvadas num ângulo que condenava a insatisfação, era inacreditável.
Ate então eu conseguia ver somente as costas de melissa. Ela ignorava a todos com seu MP3. Olhava para as arvores, os pássaros que voavam entre a capela e o fórum velho. Que atitude mais áspera e grossa de melissa. Como ela podia ser tão má educada? Talvez a briga tenha começado por causa dela e agora esta querendo fugir das conseqüências, afinal ela sempre teve essa mania de criar intrigas. Fico com muita raiva. Melissa, o ser humano que sempre me causa tanta dor. Desde que éramos pequenos e ela preferiu o Lucas a mim. Éramos pequenos, não dava pra ela fingir que gostava de mim ate que eu enjoasse?
- Ei Joe! Joe você está aí?
- O que está acontecendo?
- Ixi galera! O Joe dormiu de vez.
-Claro que dormi. Não queria prestar atenção na briga de vocês. Uma briga ridícula, sem fundamento, que nem ao menos se lembram do motivo!
- Muito bom Joe, viajou de novo, nós só estávamos decidindo o sabor do sorvete, que íamos tomar na casa, ou melhor, no casarão da avó da melissa.
- Ah gente! E isso não é uma briga tola?
*-Joe você sempre viaja. Até quando foi me chamar pra namorar disse que nunca tinha lhe dado bola. Sendo que você que nunca me dará bola.
Ah ,melissa éramos jovens demais!
Joe você quem vai pagar o sorvete.
joe: porque eu ?
porque você viajou, lembra o trato?
joe: droga tudo bem..
E assim, lá se vai mais um sábado e todo o dinheiro da minha semana!
- Joe, Joe você esta aí? Ixi gente! viajou de novo!


Autor: Douglas Machado

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Ligação

Chove.
Mas, pode cair a chuva, que já nem ligo mais.
Antes ligava.
Aliás, antes ligava pra muita coisa.
Hoje já não ligo mais.
Assim também não me ligam.
Talvez seja por que não ligo.
Antes eu ligava mais.
Antes eu amava mais.
Hoje não ligo.
Não restou um amigo.
Mas, também, quem liga para isto?
Pensando bem, eu ligo.
Devia ter ligado antes.
Hoje sou um desligado.
Liguei em tudo.
Menos naquilo que devia ligar.
Hoje percebo que algumas ligações terminam rápido.
Mas, outras se eternizam em nós.
Percebi tarde.
Talvez antes o tempo não tivesse deixado.
Ou o meu trabalho.
É. É isso.
Não me ligavam.
Eu estava sempre ocupado.


Matheus Barbosa

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Desabafo.

Para compensar o tempo que não postei decidi postar mais um poema hoje, e aproveitando o momento queria desde já agradecer ao Matheus, pelo fato de ter repaginado o "Dedo de Prosa", mais uma parceria que esta dando certo. Afinal de contas, o blog é de todos, abraços, até a próxima.
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Ser como um grão que é cultivado pela natureza, Banhado pelo sol, enchido pela chuva e fortalecido pelo vento.
Crescendo. Crescendo até virar uma grandiosa árvore, com força total,
Em plena vitalidade, cheia de vida, louca para viver.

Então, sou devorada pelos dentes ferozes de uma serra elétrica,
Vou perdendo todo minha seiva, à vejo jorrando do meu corpo como um sangue jorra de uma veia Artéria.
Todo meu corpo vai perdendo a força Droga! Com toda essa vitalidade eu não consigo nem ao pior defender.


A vontade que tenho é de sair correndo, mas a terra me segura firmemente. Ora, é o preço que pago por ser gerado nela. Pois, quando grão, ela quem me segurou em sua barriga.
Terra maldita me solte! - Eu grito.

Mas não faz efeito nenhum, então a serra transpassa meu corpo. Sou cortada ao meio, em menos de 1 minuto, uma vida de 100, 500, 600 anos, destruída em apenas 1 minuto.
Convenço-me de que morrer é o melhor, pois se não consigo me defender de um ser humano desprezível, arrogante, então o melhor é a morte...

Meu corpo picado e levado para uma indústria onde viro carvão, para assar o cadáver de outro ser vivo,
Bela vida inútil foi a minha...
Se não sou carvão sou mesa, onde são depositados alimentos, ou seja, seres vivos mortos, se não sou mesa,
Sou papel, onde é marcada a faixa de idade que um animal deve morrer.
A essa altura me conformo, nasci,
Somente para trazer a ordem natural das coisas, nasci, para matar, bela vida inútil a minha...


Douglas Machado

A montanha

Bom pessoal esse poema ja é de tempos, mais é um dos meus preferidos, espero que gostem. Música, Oração ao tempo - Caetano Veloso, fica ae mais uma sugestão.

A montanha no meio do caminho, entre árvores e arbóreos cheios de espinhos, o que será que tem a montanha? Será que tem bichos? Monstros? Seres mitológicos? Homens? Mulheres? O que será que tem na montanha? Tem aves, arvores será que chega às nuvens? O que será que tem na montanha? Será que tem um portal mágico, que dá passagem ao reino de parlagada, onde tudo é lindo, onde tudo é gostoso e o tempo não se preocupa em ter pressa? Pois tudo que é bom tem que durar muito, já dizia minha avó, uma velha senhora que aliviava nos castigos, pois tinha dó. Mas será que esse reino tem gente? Será que o portal vive aberto, será que existe esse portal.

Eu ainda vou nessa montanha, entro nesse portal e fico imortal, pois assim o sonho não morre, a felicidade não morre, o amor não morre e o tempo não corre.

Quero tanto ir lá, será que peço ao maquinista para parar? Mas se nada tiver ficarei sozinho, abandonado, estatelado de cara no chão, sem nenhum sentimento que preencha meu coração. Mas se tiver o que eu penso, se tudo for verdade... E eu estou perdendo! Vou perder! Perdi!

A montanha passou e nem sua sombra deixou. Apenas um adeus meio discreto, quieto, sem que ninguém percebesse.

E ela fica lá, parada como se não tivesse vida, esperando um novo trem ressuscitá-la. E quem sabe alguém de fé e que não se importe de voltar a pé, para parar e ir ate lá para seus segredos desvendar.

A montanha, a montanha, agora sumiu no céu azul de anil ou varonil, pois nada mais importa, agora que a perdi!

Autor: Douglas Machado

domingo, 3 de janeiro de 2010

Mais um dia..

Bom pessoal, o pensamento a seguir é de uma amiga, que até então nem sabia que escrevia, fiquei muito feliz ao ver, uma escrita suave, mas que vai direto ao ponto, bom é isso espero que gostem, pois eu gostei muito.
Postando hoje ao som de janis joplin - Piece of my heart, fica ai a sugestão até a próxima
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Mais uma vez, me desperto do meu sono.
Não posso falar que foi um dos melhores.
Afinal, mal dormi.

A cama macia e quentinha,
Não conseguiu acalmar minha ansiedade e
Aliviar meus pensamentos.

Levanto-me com o intuito de ser tudo diferente, mas não é.
E mais uma vez, seu rosto vem ao encontro de minha mente.
Mal abro os olhos e você está lá, sorrindo pra mim.

As horas passam, presencio momentos de alegria,
Mas não passa de sorrisos momentâneos, afinal você,
Só está ali nos meus pensamentos e não pessoalmente.
Enfim o dia termina.

Estou deitada novamente na cama macia e quentinha,
Fecho os olhos e percebo que você ainda não foi embora.
Mas um dia você esteve comigo, Mas não da forma que eu queria.
Afinal é apenas, mais um dia sem você.


Stefânia Pereira