Confia-me teu sorrisoQue eu vou esboçar minha solidão
Confessa-me tuas dividas
Que eu vou te dar uma mão
Pra que tanto imprevisto?
Pra que tanta desilusão?
Tem gente que trai o acaso
E não acha consolação
Contradiz contra o acaso
Trazendo a tona a ocasião
Faz da vida um marasmo
E da lei pano de chão
Passa o pano
Puro peso
Pelejando
Pelo pão
Preço pago pela paixão
Puro preço pago em prestação.
Cadê o preço? Cadê a paixão
Foi pagando E foi preso
Pelo pano A prestação.
De vida em vida, vai moendo,
De vida em vida, pessoas morrendo,
Pelo preço da paixão, alienado em prestação.
Vida barata de botequim, meio a um litro de pinga,
E um grande e gordo pedaço de quindim,
Vida que vida? Indagava – se o velho a minha frente,
Enquanto o meu pensamento estava na gente.
Passa o pano
Puro peso
Pelejando
Pelo pão
Levanto-me e desisto, rendo-me ao cansaço,
De um dia chuvoso, dia de atraso,
Esperando o amanha, não nascer,
Sem que ao menos, eu veja você,
Doce paixão, doce dor de coração.
Amaranta Vasconcelos




