Bom pessoal, queria avisar que as postagens estão de volta, pc voltou ao normal ( por enquanto), aproveitando quero dedicar essa crônica à Talessa e taina, e claro à "Vó Eva" haha! até a próxima...
Era tão má, que mal saia na rua o sol já se escondia atrás das nuvens. Portas se fechavam como um grito de olé em campo. Cada passo seu era mortífero. O chão mais queria abrir e jogá-la buraco adentro. Assim era o mundo a respeito de Vó Eva!
Ela abusava da bondade divina. Não se preocupara com o amanhã, apenas odiava o hoje, odiava por ter acordado, por ter respirado, por ver que estava viva, os olhos arregalados cheio de remela mal enxergava sua fisionomia no espelho. Droga de visão - exclamava aos berros. O café amargo que descia queimando sua garganta era tomado à base de reclamas novamente. Do quintal vinha um cachorro andando com dificuldades, cheio de feridas, mal ficava em pé. Mas ele vinha com toda felicidade de cão, e era acariciado pelas mãos rudes de Vó Eva. Era a única coisa do mundo pela qual ela conseguira gostar: aquele velho cão, sarnento, fraco e abatido.
Logo cedo, ia ao açougue, pedir muxibas para o cachorro. Respondia mal ao atendente, que mais queria matar aquela mulher. Era tão má que vivia a estragar o dia dos outros, era sua felicidade. O porquê ninguém se sabe. Só se sabe que ela era a Vó Eva, uma senhora que perdera o marido, pois ele não a agüentava mais. Fugira no dia do aniversário de casamento, deixando apenas o cão. Perdera o filho mais velho pelo mesmo motivo, e a filha mais nova, por tentar esganá-la várias vezes. Só restara a filha do meio, que ainda não tentara fazer nada.
Vó Eva, cuidara de suas netas por algum tempo. Eu me lembro, era garotinho, ficava em cima do muro à observar a cena. Ela botava as pobres coitadas, para trabalhar, e sentava-se na varanda com um cigarro de palha, em sua cadeira de balanço. E ao final do dia, quando a filha chegava, reclamava. Dizia que as meninas eram o capeta em forma de gente, e que teriam que exorcizá-las. A mãe ainda gritava com as meninas achando que a Vó Eva tinha razão. Quando ela morrer acho que vai para o inferno, acho não, tenho certeza. Pois ela era muito má, chegara até a denunciar a própria filha ao conselho tutelar. Dizia que a filha deixara as crianças sozinhas.
Vó Eva era mais como uma bruxa para a molecada da rua. Dizia que Deus ia castigá-los por jogarem bola em sua horta, além de perder as contas de quantas bolas rasgara em toda sua vida. A casa de vó Eva nunca foi roubada, pois todos a temem. Dizem que o próprio demo é quem vigia a casa de vó Eva. Às vezes, à noite, à escutavam falando com ele. Cruz credo, arrepio só de pensar. Pra não falar que to mentindo, um dia vi o demo lá com meus próprios olhos, subi o muro, como de costume, pra pegar jabuticaba, e lá estava ele, no quarto, ouvindo caladinho, caladinho a Vó Eva, um ser alto e magro essa era a fisionomia do demo. Acho que ele fizera algo que não à agradou muito. No outro dia o pessoal queria que eu buscasse a bola, mais nunca que fui. Ora, por quê? Se até a coisa ruim tem medo dela, quem era eu para enfrentá-la, certo?
E pra terminar, a Vó Eva morrera há tempos e a casa ainda esta vazia. Alguns inquilinos moraram por uma ou duas semanas, mais disseram que ouviam vozes e vultos. Ninguém nunca mais alugou aquela casa até agora. Pois semana que vem a casa da Vó Eva, será derrubada e dará lugar a um prédio.
Se essa história é verdade ou não, acreditem se quiser, mas se quiserem uma prova é só chamar por vó Eva na manhã do último dia da quaresma, em uma encruzilhada, e lá vai aparecer ela, com seu cão sarnento do inferno.
Autor: Douglas Machado
Era tão má, que mal saia na rua o sol já se escondia atrás das nuvens. Portas se fechavam como um grito de olé em campo. Cada passo seu era mortífero. O chão mais queria abrir e jogá-la buraco adentro. Assim era o mundo a respeito de Vó Eva!Ela abusava da bondade divina. Não se preocupara com o amanhã, apenas odiava o hoje, odiava por ter acordado, por ter respirado, por ver que estava viva, os olhos arregalados cheio de remela mal enxergava sua fisionomia no espelho. Droga de visão - exclamava aos berros. O café amargo que descia queimando sua garganta era tomado à base de reclamas novamente. Do quintal vinha um cachorro andando com dificuldades, cheio de feridas, mal ficava em pé. Mas ele vinha com toda felicidade de cão, e era acariciado pelas mãos rudes de Vó Eva. Era a única coisa do mundo pela qual ela conseguira gostar: aquele velho cão, sarnento, fraco e abatido.
Logo cedo, ia ao açougue, pedir muxibas para o cachorro. Respondia mal ao atendente, que mais queria matar aquela mulher. Era tão má que vivia a estragar o dia dos outros, era sua felicidade. O porquê ninguém se sabe. Só se sabe que ela era a Vó Eva, uma senhora que perdera o marido, pois ele não a agüentava mais. Fugira no dia do aniversário de casamento, deixando apenas o cão. Perdera o filho mais velho pelo mesmo motivo, e a filha mais nova, por tentar esganá-la várias vezes. Só restara a filha do meio, que ainda não tentara fazer nada.
Vó Eva, cuidara de suas netas por algum tempo. Eu me lembro, era garotinho, ficava em cima do muro à observar a cena. Ela botava as pobres coitadas, para trabalhar, e sentava-se na varanda com um cigarro de palha, em sua cadeira de balanço. E ao final do dia, quando a filha chegava, reclamava. Dizia que as meninas eram o capeta em forma de gente, e que teriam que exorcizá-las. A mãe ainda gritava com as meninas achando que a Vó Eva tinha razão. Quando ela morrer acho que vai para o inferno, acho não, tenho certeza. Pois ela era muito má, chegara até a denunciar a própria filha ao conselho tutelar. Dizia que a filha deixara as crianças sozinhas.
Vó Eva era mais como uma bruxa para a molecada da rua. Dizia que Deus ia castigá-los por jogarem bola em sua horta, além de perder as contas de quantas bolas rasgara em toda sua vida. A casa de vó Eva nunca foi roubada, pois todos a temem. Dizem que o próprio demo é quem vigia a casa de vó Eva. Às vezes, à noite, à escutavam falando com ele. Cruz credo, arrepio só de pensar. Pra não falar que to mentindo, um dia vi o demo lá com meus próprios olhos, subi o muro, como de costume, pra pegar jabuticaba, e lá estava ele, no quarto, ouvindo caladinho, caladinho a Vó Eva, um ser alto e magro essa era a fisionomia do demo. Acho que ele fizera algo que não à agradou muito. No outro dia o pessoal queria que eu buscasse a bola, mais nunca que fui. Ora, por quê? Se até a coisa ruim tem medo dela, quem era eu para enfrentá-la, certo?
E pra terminar, a Vó Eva morrera há tempos e a casa ainda esta vazia. Alguns inquilinos moraram por uma ou duas semanas, mais disseram que ouviam vozes e vultos. Ninguém nunca mais alugou aquela casa até agora. Pois semana que vem a casa da Vó Eva, será derrubada e dará lugar a um prédio.
Se essa história é verdade ou não, acreditem se quiser, mas se quiserem uma prova é só chamar por vó Eva na manhã do último dia da quaresma, em uma encruzilhada, e lá vai aparecer ela, com seu cão sarnento do inferno.
Autor: Douglas Machado


2 comentários:
=[ ]
Sem palavras... de onde sera q vc tirou inspiração para tal cronica??.....
shuahsu xD
Mas nunca que eu chamo essa vó Eva...rsrsrs...gostei!!!!
Postar um comentário